Urgente é o sétimo espetáculo da Cia. Luna Lunera. O texto do espetáculo foi encenado pela primeira vez com direção de Maria Sílvia Siqueira Campos e Miwa Yanagizawa e assistência de direção de Liliane Rovaris. Estreou em 31 de março de 2016 no CCBB – Centro Cultural Banco do Brasil, em Belo Horizonte, seguindo temporada nos CCBBs de Rio de Janeiro, São Paulo e Brasília.


Além da dramaturgia de Urgente, o livro tem prefácio de apresentação escrito pelo Areas Coletivo (RJ), posfácio de Sérgio Gomes (mestre em Antropologia Social), Jean-Luc Moriceau (pesquisador e professor de Métodos de Pesquisa no Institut Mines-Télécom Business School) e diversas fotografias do processo de montagem e de apresentações.

 

Sinopse:

Moradores vivem em risco constante num espaço diminuto, imersos em suas tarefas inadiáveis, suas relações com o tempo, seus desejos adiados ou urgentes. O enredo ficcional se revela aos poucos, mesclado com as retrospectivas de vida do elenco. "Se você tivesse apenas dois minutos pra repassar sua vida, sua vida inteira, que imagens você iria resgatar?"

 

Sobre a obra:

 

Trechos da orelha do livro:

Pela crítica teatral Soraya Belusi

"Em Urgente, o que nos ensaios era apenas um esboço de cena, ou a descrição de um exercício, notas do próprio ator sobre sua criação, transborda para a criação final em forma de epílogo, narrativa do que o espectador verá, espécie de esqueleto da dramaturgia/ encenação que se desenrola no palco: dois atropelamentos, um reencontro, quatro retrospectivas, um beijo, um teste de audiometria, duas desilusões, um desabamento...

 

A relação direta com o espectador se materializa de forma mais evidente nas retrospectivas dos atores, que guardam também os momentos em que o(s) tempo(s) é(são) de fato sentido(s) pelo público. Retrospectivas que carregam também mais uma assinatura presente nas criações do grupo mineiro. A utilização de materiais com fonte autobiográfica, nenhuma novidade nos processos criativos da Luna Lunera, ganham na dramaturgia de seus espetáculos formas completamente distintas. Mas, independentemente do grau em que isso aparece na cena, há sempre uma tensão entre o real e o ficcional, borrando esses limites aos olhos, ouvidos e percepção do público.

 

É justamente esse material ficcional que assume caráter principal na configuração “final” do espetáculo. É a ficção que está em primeiro plano. São os personagens,

não os próprios atores-performers, que estão em evidência – exceto, como já foi frisado, nos momentos das retrospectivas. Mas a evidência do ficcional em cena, na opção pelo dramático, não consegue apagar os rastros autobiográficos do processo. A constatação, nas retrospectivas, de que questões aparentemente ficcionais são, de fato, parte das vidas daqueles criadores, leva o espectador a outras relações possíveis com o material dramatúrgico e a instantes de identificação capazes de mobilizar pensamentos e sensações sobre a própria vida."

 

Trecho do prefácio:

Por Áreas Coletivo

 

Urgente revolveu uma terra em que muitas coisas já estavam enterradas. A dramaturgia surgiu assim, como que emergida de uma escavação. Nosso processo assemelha-se ao de um arqueólogo ou de um catador de lixo que repõe, às coisas, vida. Ver esse texto publicado nos enche de alegria. É como prolongar o tempo de uma gestação: a que houve até aqui e as que, ainda, poderão haver. Espero que outras urgências encontrem nestas um espaço fecundo para a criação. Foi comovente viver essa parceria com a Luna Lunera. Viva aos seus vinte anos! Que os fantasmas continuem nos auxiliando a reviver nossos afetos e memórias.

 

Trecho do posfácio:

Por Sérgio Gomes

Mas a provocação de Urgente vai para além das lembranças, ecoa nos avisos que restam pra quem vive depois do texto, seja no palco ou na plateia: é preciso ver as rachaduras, o problema é na estrutura, é preciso reformar a base, o sistema de alarme é ineficiente. A sirene sempre tocava, porém a morte não chega às personagens por conta da surdez. Ela chega por conta da cegueira. Da cegueira que a gente tem na vida.

 

Por Jean-Luc Moriceau

Com Urgente, a Luna Lunera continua sua exploração da condição contemporânea: como existir hoje, o que seria existir plenamente, autenticamente, em nossa contemporaneidade plural, difícil, líquida e que ameaça se colapsar, ruir? Explorações que nunca estancam, nunca lamentam, mas que procuram as possibilidades da alegria, do amor, do compromisso e da coragem. A urgência é também o que nos dará forças para lutar, para inventar uma resposta digna, para reconstruir. 

 

Sobre os coletivos teatrais:

 

CIA. LUNA LUNERA

Formada por: Cláudia Corrêa, Cláudio Dias, Isabela Paes, Marcelo Souza e Silva, Odilon Esteves e Zé Walter Albinati. Fundada e sediada em Belo Horizonte/MG, em 2001. Nos seus vinte anos de trajetória, a Cia. Luna Lunera é considerada um dos expoentes do teatro brasileiro contemporâneo, com repercussão nacional e internacional. Investe em diversificados caminhos de criação através da pesquisa continuada e do diálogo com outros criadores contemporâneos. Tem como prática abrir seus processos criativos para o público em um espaço de diálogo e compartilhamento – chamado Observatório de Criação. Vem, assim, desenvolvendo um método próprio de criação compartilhada, no qual os espetáculos surgem de uma série de encontros, pesquisas, e diálogos com diferentes parceiros artísticos e com o público, de modo horizontalizado e colaborativo. Promove ações de trocas de experiência, democratização do acesso à arte e ampliação dos seus circuitos de exibição. Dentre as ações pedagógicas desenvolvidas pela Cia., se destaca a realização do Curso In Cena, um curso livre para a formação e pesquisa na área teatral.

 

AREAS COLETIVO 

Fundado em 2012, o coletivo é formado por Camila Márdila, Liliane Rovaris, Maria Silvia Siqueira Campos e Miwa Yanagizawa. Com base no Rio de Janeiro e São Paulo, tem atuado em várias cidades do Brasil. Ganhou o Prêmio Questão de Crítica nas categorias espetáculo, direção e luz, prêmio de melhor cenário pela APTR e teve indicação de melhor atriz pelo Prêmio Shell com Breu (2011-2012), de Pedro Brício. Realizou ainda os espetáculos Plano sobre queda (2014), de Emanuel Aragão, Naquele dia vi você sumir (2018), com integrantes do Grupo Magiluth (PE) e Urgente (2016), em parceria com a Cia. Luna Lunera, dentre outros. Também faz parte do trabalho e pesquisa do coletivo, a oficina Estudo para o ator: a escuta. Com inúmeras edições, entre novas turmas, continuidades e formato workshop em diferentes estados do Brasil, a oficina foi incluída em processos de criação de grupos como o Galpão, de Belo Horizonte, XIX e Kunyn, ambos de São Paulo. Com importantes trabalhos no panorama cultural brasileiro, o coletivo tem o propósito de fomentar culturalmente o país de forma mais ampla, criando um intercâmbio cada vez maior entre as áreas da sociedade, com principal interesse nos indivíduos, em seus afetos, suas histórias, atuações políticas e modificações.

 

Ficha técnica:

Peso: 200g

Tamanho: 18,5 x 12 cm

Nº de páginas: 160

ISBN: 978-65-87635-16-3

Ano: 2021

Capa e diagramação: Letícia Naves

Projeto gráfico da coleção: Amanda Goveia e Vitor Carvalho

 

Urgente - Cia Luna Lunera

SKU: 978-65-87635-16-3
R$ 30,00Preço