Teatro Negro (2018) é uma coletânea de textos contemporâneos de Grupos/Companhias/artistas negrxs de Belo Horizonte. Este livro faz parte da Coleção Teatro Contemporâneo e teve organização de Assis Benevenuto, Marcos Alexandre e Vinícius Souza.

 

Para além de suas qualidades propriamente dramatúrgicas, as obras que compõem esta pequena coletânea são rastros de um modo de fabulação, quase sempre compartilhado, que "denigre" parte essencial da cena contemporânea belo-horizontina. Parece-me importante ressaltar que, apesar de estarem dellimitadas pelo uso estratégico do adjetivo 'negra', os textos escritos por dramaturgas pretas e dramaturgos pretos são diversos por definição e princípio, são causa e consequência da diversidade mesma de ser negra/o e estar no mundo. E é essa poética preta que perpassa todos os textos, aliada a uma diversidade de formas que guiará nosso olhar pela leitura reveladora de mundos.

Anderson Feliciano.

 

Sobre as obras publicadas - trechos do prefácio de Anderson Feliciano.

 

Cenas Pretas (O que não vaza é pele, 2012, Não conte comigo para proliferar mentiras, 2014e Rolezinho, 2015 - nome provisório) é um conjunto de três cenas curtas com recorte étnico-racial, Alexandre de Sena e suas parceiras e seus parceiros, com seus processos colaborativos, abrem precedentes para pensarmos uma cena preta polifônica que surge do resultado de pensamentos coletivos e de uma visão artística compartilhada. Essa visão é muitas vezes sustentada por nossas memórias traumáticas, uma estética performática e corpos pulsantes que surgem como interrogantes.

 

O grito do outro o grito meu (2016)- De maneira coletiva, a Espaço Preto, como numa espécie de Big Band, orquestra suas diferentes vozes na elaboração de um manifesto que reivindica o lugar de fala dessa juventude transviada que tem muito a dizer em O grito do outro, o grito meu.

 

Madame Satã (2015)- Tendo como ponto de partida a biografia do lendário João Francisco dos Santos, mais conhecido como Madame Satã, Rodrigo Jerônimo e Marcos Fábio de Faria articulam uma escrita poética/política para dialogar com temas que nos são caros até hoje: racismo, homofobia e homoafetividade. Pintam de maneira ácida um quadro particular da sociedade em que vivemos e que ainda insiste com o genocídio da população negra.

 

Memórias póstumas de um Neguinho (2014) - Lucas Costa mergulhou em suas memórias e articulou fragmentos das mesmas na elaboração de sua dramaturgia. Diferentemente do fantástico Brás Cubas, Costa está vivo e, ao lidar com essas memórias, procura matar os neguinhos que insistem em atormentá-lo.

 

Chão de pequenos (2017) - Em Chão de Pequenos, Ana Maria Gonçalves, Felipe Soares e Ramon Brant de maneira delicada abordam o doloroso universo de meninos que esperam para serem adotados. Denunciam a partir da bonita e tensa relação de amizade entre Pedro e Lucas as mazelas sociais e as desigualdades raciais de uma sociedade que insiste na falácia da democracia racial.

 

 

Teatro Negro

R$ 35,00Preço
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