Nascido da primeira edição do projeto “Como Nossos Pais: Gente jovem reunida fazendo a cena do agora”, realizado em Belo Horizonte em 2025, este livro, organizado por Jean Gorziza, João Santos e Raysner de Paula, reúne oito dramaturgias de jovens entre 15 e 21 anos que aceitaram o desafio de transformar inquietações, sonhos e perguntas em palavra e ação.
Selecionados entre dezenas de inscrições e acompanhados por um processo de mentoria com artistas da cena belo-horizontina, Bia Dutra, Manô Barbosa, Irupê Vieira, Will Valente, Kauan John, Jhonatan Cândido, Bê Luiz e Ana Clara Pontello revelam, em suas escritas, diferentes modos de imaginar o mundo. Entre o fantástico, a fabulação, a ironia e o enfrentamento de temas como violência, autodescoberta e desejo de transformação, estes textos afirmam o teatro como espaço de invenção e de protagonismo das juventudes.
Mais do que uma coletânea, Convocatória Jovens Dramaturgias é um testemunho da vitalidade de uma nova geração que reivindica o direito à imaginação e à cena. Oito vozes particulares que, ao mesmo tempo, anunciam muitas outras por vir.
Sinopses dos textos:
AINDA QUE EU CORRA PELA RUA DOS MORTOS, de Bia Dutra:Um surto zumbi dizimou grande parte da população, mas, por incrível que pareça, as coisas continuam as mesmas. Em meio a uma ficção histórica sobre o terror colonial e o presente precarizado e sem esperanças, acompanhamos a história de Lico, um jovem entregador de aplicativo que precisa se arriscar em meio às ruas tomadas pelos mortos-vivos para garantir o seu sustento e o de sua avó.
AVENIDA DÚBIA, de Manu Barbosa:Acompanhamos uma jovem que tenta se reconhecer em meio as passagens da vida. Entre correr e parar, escolher ou desistir, ela mergulha em reflexões que misturam ironia, medo e desejo. O texto se constrói como um fluxo íntimo e fragmentado, em que memórias, expectativas e contradições se atravessam. Cada ideia parece disputar espaço com a próxima, revelando uma mente inquieta e sensível ao mundo ao redor.
DANÇO VITÓRIA-RÉGIA, de Irupê Vieira:Aqui tem mato que vira careca, rio que vira asa e bicho que vira ponte. O rio tem cheiro de doce, o mato mastiga memória e o bicho se ex-tranhava. Estranha-me o jeito que as coisas são,tão… maniadas de nada.
MORTO VIVO, VIVO MORTO, de Will Valente:
Morto vivo, vivo morto. Acaba que, às vezes, a gente brinca disso o tempo todo! Vivo. Vivo... MORTO! Morto morto vivo. Coveiro gosta de ser coveiro. E o médico também gosta de ser médico! Isso sempre na condição de gostar de ser alguma coisa, de querer ser alguém! E você que não quer ser nada, é possível que acabe preso numa cama para sempre... MORTO!
RIZOMA, de Kauan John:
Uma comandante híbrida, um soldado foragido e um robôinvasor têm suas rotas desviadas para uma Terra desperta. Guiados por Ela e pelo pulsar do Coração da Terra, presenciamo emergir de algo novo, que brota e floresce sob a chuva.
ROLO DE SER NEURA, de Jhonatan Cândido:
Rolo de Ser Neura acompanha Hilda entre memórias, o medo doabandono e o desejo de pertencer. Guiada pela voz da avó, elaaprende o rito de “assar devagar”, enquanto um simples bolo revela a falta de um ingrediente essencial. Entre amor e dor, descobre que é preciso se cozinhar por inteiro.
STELLA MARIS, de Bê Luiz:Como caber no mundo quando você não cabe nem no seu nome próprio? É a questão que paira sobre a vida da protagonista desta peça. De volta à sua cidade natal, durante as férias universitárias, ela se prepara para um intercâmbio enquanto revisita sua família, suas memórias e encara uma nova paixão transformadora. A viagem que ela enfrentará é, acima de tudo, uma busca sensível por sua identidade.
TRAQUINAGEM OU PARA ONDE VÃO AS AMEIXAS, de Ana Clara Pontello:
Como voar com asas invertidas? Onde a linguagem falha, um garoto tenta sustentar seus próprios detritos enquanto atravessa uma queda. Ao suspender a gravidade, ele voa ou caipara o céu? Cria uma gravidade invertida ou fecha os olhos parao abismo? Entre cair e suspender, há algo que o coração sente e os olhos não veem.
Sobre os organizadores:
Jean Gorziza (Porto Alegre – Rio Grande do Sul, 2004): é estudante de Licenciatura em Teatro pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG). Atualmente reside em Belo Horizonte(MG), onde atua como diretor, dramaturgo, ator e produtor.Cofundador do Grupo PRISMA (2019) e do Teatro da Fumaça (2023), Jean desenvolve processos contínuos de criação no âmbito das artes cênicas. É idealizador e coordenador daprimeira edição do projeto “Como Nossos Pais: Gente jovemreunida fazendo a cena do agora”.
João Santos (Belo Horizonte – Minas Gerais, 1989): é doutorando, mestre em Artes e graduado em Comunicação Social pela UFMG. Atua como dramaturgo, diretor e pesquisador.É cofundador do Teatro da Fumaça (2023), além de já tertrabalhado com artistas como Teuda Bara e Eid Ribeiro. Assina textos, direções e atuações em espetáculos que circularam em festivais nacionais e internacionais. É também autor do livro Teuda Bara: Comunista demais para ser Chacrete, publicado pela Editora Javali.
Raysner de Paula (Betim – Minas Gerais, 1990): é Licenciado em Teatro pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG),onde foi cofundador, em 2012, do grupo Mamãe tá na plateia. Atua como dramaturgo, roteirista, ator e professor de teatro na educação básica e no ensino técnico. Como dramaturgo, desenvolveu trabalhos com diversos grupos e coletivos brasileiros e pesquisa relações entre ensino de teatro e poéticas contemporâneas da dramaturgia.
Ficha técnica do livro:
Peso: 0.410g
Tamanho: 18,5 x 12 x 0,4 cm
Nº de páginas: 304
ISBN: 978-65-87635-59-0
Ano: 2026
Capa e diagramação: Vitor Carvalho
Projeto gráfico da Coleção Teatro Contemporâneo: Amanda Goveia e Vitor Carvalho
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SKU: 978-65-87635-59-0
R$ 50,00Preço
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