Brasis reúne 20 dramaturgias selecionadas por meio da Convocatória Brasis – Seleção Nacional de Dramaturgias Inéditas, que recebeu mais de 250 inscrições de todo o país. As obras, representativas das cinco macrorregiões brasileiras, compõem um panorama múltiplo da escrita teatral contemporânea. Os textos estão distribuídos em três volumes — Brasis Vol. 1, 2 e 3 —, cada um com 224 páginas. A curadoria do projeto Brasis foi realizada pelos artistas e pesquisadores: Anderson Feliciano, Assis Benevenuto, Soraya Martins e Marcos Coletta.
O volume 1 traz os seguintes autores e suas respectivas dramaturgias:
• Ainda não são ruínas, de Bárbara Esmenia (SP)
Narrado por uma faca, Ainda não são ruínas acompanha uma comunidade por mais de cinquenta anos, desde sua fundação, no início da década de 1970, até a ameaça de rompimento de uma barragem vizinha, no início dos anos 2020.
Entre o levantamento de casas, o desaparecimento de um pai levado pela polícia durante a ditadura e as altas emoções com a seleção brasileira de futebol masculino na Copa do Mundo de 1974, acompanhamos fatos recentes da história do país e conhecemos grandes personagens e suas histórias.
Bárbara Esmenia (São Paulo – SP, 1984) é formada em Letras pela Unifieo (Osasco/SP). Atua como dramaturga, escritora e curinga de Teatro do/as Oprimido/as. Desenvolve trabalhos em literatura, teatro, culturas populares, com
destaque para a atuação em processos criativos com diversos grupos e coletivos.
• José: peça-manifesto, de Paloma Franca Amorim (PA)
José me parece um elogio ao teatro em sua forma-gente-ajuntada. A personagem José é evocação da infância como meio de orientação da memória, do luto e da ressignificação de uma existência depois da perda. De certo modo, o texto sugere um processo de vida e morte, no qual pequenas comunidades — essas que podem ser grupos sociais vivendo nas ilhas amazônicas ou coletivos teatrais na periferia de uma grande cidade — têm experienciado ao longo das últimas décadas em que princípios individualistas, baseados em práticas históricas racistas, misóginas e elitistas, pouco a pouco asfixiam estruturas humanizadas de pensamento, convivência e projeção simbólica da própria vida.
Paloma Franca Amorim (Belém – PA, 1987) é formada em Artes Cênicas pela Universidade de São Paulo. É escritora, professora e crítica. Radicada em São Paulo desde o ano de 2006, atualmente integra o corpo docente da Escola Livre de Teatro de Santo André.
• Pretos não esperam Godot, de Adriano Moura (RJ)
Três atores negros, cansados de papéis estereotipados e secundários, resolvem escrever e produzir um espetáculo teatral no qual sejam protagonistas. Milton e Leia passam parte da peça esperando a chegada de Antônio, que nunca chega, o que faz com que os dois decidam sair à sua procura, enquanto realizam diferentes jogos teatrais que refletem questões vividas pela população negra brasileira, como racismo, ancestralidade, violência urbana e arte. A história mistura surrealismo, absurdo, metaficção e improviso no universo caótico de criação dos personagens.
Adriano Moura (Campos dos Goytacazes – RJ, 1972) é doutor em Estudos Literários, professor de Literaturas de Língua Portuguesa do IFFluminense. Autor de várias obras já publicadas, dentre as peças teatrais Relatos de professores, Meu nome é Cícero, Pessoas e Meu querido diário.
• Dramaturgia telúrica: para lembrar, de Candice Didonet (RS), Felipe Costa Espíndola (PE) e Mika Costa (PE)
Uma dramaturgia expandida em poesia, em que o texto, os diferentes seres e suas corporalidades e discursos de existência imaginativa se entrecruzam na dimensão de uma conversa.
Mika Costa (Garanhuns – PE, 1990) é licenciada em Letras pela Universidade Federal do Agreste de Pernambuco, bacharel em Teatro pela Universidade Federal da Paraíba e mestranda em Artes Cênicas pela Universidade Federal do Rio Grande do Norte. É atriz, performer, palhaça, arte-educadora, curadora, produtora cultural e poetrista.Felipe Espíndola (Garanhuns – PE, 1995) artista multimeios com bacharelado em Teatro pela Universidade Federal da Paraíba. Dedica-se à pesquisa em processos criativos e arte-educação nas áreas de teatro, música e cinema. Além do projeto Dramaturgia Telúrica, também compõe o Casulo Coletivo e a banda Tamarinera Azul.
Candice Didonet (Santo Ângelo – RS, 1980) é formada em Comunicação das Artes do Corpo pela PUC/São Paulo. Possui mestrado em Dança pela Universidade Federal da Bahia e é doutoranda em Estudos Artísticos pela Facultad de Artes ASAB de Bogotá. É artista performer e pesquisadora professora do Departamento de Artes Cênicas da Universidade Federal da Paraíba.
• Temos uma mesa, de Igor Rangel (MG)
Um casal recém-casado vê seu mundo desabar ao descobrir que um deles morrerá em 36 horas. Nesse intervalo finito, a única coisa que possuem é uma mesa, como um lugar de afeto, conflitos, memórias e, agora, de despedida. Divididos entre o desejo de estender o tempo e a aceitação do próprio destino, eles encaram o colapso do pequeno universo recém-criado, revelando a beleza e a dor de amar diante da iminência do fim.
Igor Rangel (Belo Horizonte – MG, 2000) é formado em Teatro pelo CEFART/MG e em Direito pela UniArnaldo. Atua como ator, produtor cultural e dramaturgo, além de se aventurar na direção teatral. Desenvolve trabalhos dramatúrgicos autoficcionais, mergulhando em suas memórias, rotinas, fofocas e mentiras. temos uma mesa é seu primeiro espetáculo autoral solo.
• Voz de Cauxi: ópera de uma só voz, de Francis Madson (RO)
Voz de Cauxi é um monólogo dramático-fragmentado que expõe a crise, o concreto e a folclorização de uma cidade amazônica corroída pelo colonialismo e pela modernidade antiorgânica. Através da voz de um bufão traumatizado, a obra tece memórias de violência social, morte simbólica dos pais, corpos degenerados e paisagens urbanas desumanizadas. O texto desconstrói linguagem e narrativa para denunciar a segregação étnica, a destruição ecológica e a falácia do “progresso”, culminando numa busca desesperada por raízes indígenas soterradas sob o concreto e a folclorização. Cauxi é uma planta nativa da região amazônica, amplamente utilizada na medicina popular e na indústria cosmética. Seus benefícios para a saúde incluem ação anti-inflamatória, antioxidante e antibacteriana.
Francis Madson (Porto Velho – RO, 1985) é professor de Teatro da Universidade do Estado do Amazonas (UEA) e doutorando em Artes Cênicas pela UDESC. Mestre em Ciências Humanas – Linha História e Teoria Crítica da Cultura (PPGICH/UEA), bacharel em Dança pela Universidade do Estado do Amazonas e licenciado em Teatro (UnB). Atua como diretor e autor da Soufflé de Bodó Co. (AM) e da Companhia Boi de Piranha (RO) e tem atuação artística e de pesquisa centrada nas artes cênicas do Norte. Desenvolve trabalhos em diversos grupos e companhias do Amazonas e Rondônia.
Ficha técnica:
Peso: 410g
Tamanho: 18,5 x 12 x 0,4 cm
Nº de páginas: 224
ISBN: 978-65-87635-55-2
Ano: 2025
Projeto gráfico: Amanda Goveia e Vitor Carvalho
Capa e diagramação: Vitor Carvalho
Este projeto foi realizado com recursos da Lei Municipal de Incentivo à Cultura de Belo Horizonte e tem patrocínio da Blip.
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